Por Angela Maria Pereira Glavam

 

 

 

 

O início - 1922

 

  Abigail Izquierdo Ferreira, Bibi, fez sua estréia teatral aos 24 dias de vida - a peça era "Manhãs de Sol", de autoria de seu padrinho, Oduvaldo Viana (pai), na época casado com a grande vedete e cantora Abigail Maia. Entrou no colo de sua madrinha, de quem herdou o nome, substituindo uma boneca que desaparecera de cena pouco antes do início do espetáculo.

Era o prenúncio de uma carreira cujo sucesso se mantém até hoje e honra o legado de seu pai, o grande ator Procópio Ferreira.

Aos três anos de idade, Bibi estreou como dançarina, em Santiago do Chile, na Cia. de Revista Espanhola Velasco, onde Aida Izquierdo, sua mãe, trabalhava como corista. A Cia. Velasco viajou a América Latina inteira e esta vivência despertou nela o gosto pela música - dançava e cantava o flamenco, participando dos desafios, prática comum entre as crianças da Cia.

Bibi tinha pouco mais de quatro anos quando, de volta ao Brasil, entrou para o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu por muitos anos. Ali participou de diversos ballets e óperas (por exemplo: grupo dos Soldadinhos Mirins – em Carmen, de Bizet).

Com apenas 14 anos, e já formada em piano, compôs sua primeira valsa. Na época, a jovem pianista Wanda Lacerda (hoje conhecida atriz) tornou-se a intérprete das composições clássicas de Bibi.

Bibi também compôs música popular, gravando, pela Odeon, um disco com músicas e letras de sua autoria.

Como atriz fez sua estréia em 1941, pelas mãos do pai, Procópio Ferreira - foi Mirandolina, em La Locandiera de Goldoni. Tinha quase 18 anos.

Começava aí sua bem sucedida carreira, ao longo da qual mostrou que é senhora de múltiplos talentos: rádio, televisão, discos, shows, concertos, ópera e teatro, onde atua e dirige até hoje.

Aos 83 anos de idade e 64 de carreira, a carioca Bibi Ferreira exibe um currículo que é privilégio apenas dos maiores: incontáveis sucessos, prêmios importantes e momentos extraordinários que enriquecem a história do Teatro Brasileiro.

 

Anos 40

 

1941 

 

28 de fevereiro: estréia profissional de Bibi

Ferreira,  na comédia "La Locandiera", de

Goldoni, como Mirandolina - Teatro Serrador,

Rio de Janeiro.

 

 

"La Locandiera" - 1941

Na Cia. Procópio Ferreira:

"Uma noite de amor" (do húngaro Ladislau Fedor)

"A Garota" (dos franceses Weber e Gorse)

"O cura da aldeia" (do espanhol Carlos Arniches)          

"A cigana me enganou" (de Paulo Magalhães)

"Tudo por você" (de José Wanderley e Mário Lago)

"Escola de maridos" (de Molière)

"Quebranto" (de Coelho Netto)

"O genro de muitas sogras" (de Arthur Azevedo)

 

1942

Estréia em São Paulo com o repertório da Cia. Procópio Ferreira, no Teatro Avenida, hoje Cine Art-Palácio.  

 

Com Procópio, em tournée pelo sul do país.

   1943                                    

Grande tournée da Cia. Procópio Ferreira ao sul do país e interior de São Paulo, apresentando Bibi às platéias de mais de 30 cidades.

 

 

 

 

 

Bibi escreve "Bendito entre as Mulheres", especialmente para o pai - foi sua estréia como autora.

Após temporada no Teatro Boa Vista, São Paulo, estréia no Rio de Janeiro, no Teatro Serrador.

 

 

 

Foto do livro "O mágico da expressão" - Jalusa Barcellos.

1944

Inaugura, no Teatro Phoenix, Rio de Janeiro, sua própria companhia, na qual ingressam nomes como Cacilda Becker e Maria Della Costa - a peça era "Sétimo Céu" e foi dirigida por  Georges Morineau.

A Cia. Bibi Ferreira segue apresentando  espetáculos dirigidos por Carlos Lage e Miroel Silveira :

"A Moreninha" (de Joaquim Manoel de Macedo) lançou a atriz Maria Della Costa

"Os amores de Sinhazinha" (de Carlos Lage)

"É proibido suicidar-se na primavera" (de Alejandro Casena) - neste espetáculo , Cacilda Becker, então integrante da Cia., substituiu Bibi Ferreira

"Week End" (de Noel Coward) 

"Scampolo" (de Dario Nicodemi)

1945

Convida Henriette Morineau (Henriette Risner) para dirigir a Cia. Bibi Ferreira. 

Bibi foi a primeira atriz brasileira a contratar uma diretora estrangeira (francesa) para aprofundar seu conhecimento em teatro francês.

Mme. Morineau dirigiu Bibi nas seguintes peças:

"La femme et le pantin" (de Pierre Louÿs)

 

 

"Angelus" (de Bibi Ferreira)

"Miguette et sa mère" 

" Fabienne" (estréia de Madame Morineau em língua portuguesa). A peça marca também dois fatos importantes na história do teatro brasileiro: foram abolidos o "ponto" e a abertura das cortinas no final dos atos.

"L'Ecole des cocottes"

"Rebecca" (Daphenée du Maurier).

Bibi Ferreira é convidada para fazer cinema na Inglaterra e Mme. Morineau funda sua própria Companhia.

 

 

1946 - 1947

Na Inglaterra, nos Estúdios Pinewood,  filma "The end of de river", com Sabu, Esmond Knigth e Torin Tacher, direção de Michael Powell.

 

Freqüenta cursos de direção e interpretação na Royal Academy of Art.

Poster art by Francis Marshall

 

1948

"Divórcio", de Clemence Dane, com Procópio Ferreira.

Primeira direção de Bibi e um dos maiores êxitos do Teatro Serrador.

No elenco, além de Bibi, Alma Flora, Darcy Cazarré, Palmeirim Silva e Belmira de Almeida.

Afastado por um problema de saúde, Procópio foi substituído por Rodolfo Mayer.

"A pequena Catarina" - ainda na Cia. Procópio Ferreira, como atriz e diretora, ao lado de Hortênsia Santos e Luiz Cataldo.

 

1949

Estréia, em Campinas, com a Cia. Bibi Ferreira,  o clássico brasileiro "O Noviço", de Martins Penna, no papel do noviço Carlos.

Com "O noviço" abre a temporada nacional do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

 

 

 

Excursão pelo sul do Brasil, com as peças:

  "Senhora" (José de Alencar) - adaptação de Bibi Ferreira;

"Hipócrita, beija-me e verás";

"Diabinho de Saias" e "Senhorita Barba Azul".

 

 

 

 

                                                                                      

                     

                                                     Anos 50

1950 

Revista "Escândalos 1950", de Chianca de Garcia e Hélio Ribeiro da Silva, direção de Chianca Garcia, no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro.

Bibi traz para o "teatro de revista", nomes como Jardel Filho, como "chansonnier" e Luiz Cataldo.

Um incêndio no Teatro Carlos Gomes, ocorrido  menos de 2 meses após a estréia, transfere o espetáculo para o Teatro São José.

Final de 1950: estréia de "Escândalos 1950" em São Paulo.

 

Ao mesmo tempo, Bibi participa:

da Revista "Sombra e água fresca",

de um show na boite Arpège e de um programa na Rádio Record de São Paulo, além de elaborar e ensaiar "Escândalos 1951".

1951

Estréia da Revista " Escândalos 1951", ao lado de Mara Rúbia, no Teatro Carlos Gomes (já reformado), no Rio de Janeiro.
 

1952

Dirige e atua em "A herdeira". Prêmio da crítica pela melhor direção do ano.

Atua em "Mistress Mine", na Cia. Dulcina - Odilon.

1953

Estréia da peça "Hipócrita", no Teatro Ginástico, Rio de Janeiro.

Leciona direção e interpretação no Teatro Duse de Paschoal Carlos Magno.

Dirige Sérgio Cardoso em "A raposa e as uvas" (Guilherme Figueiredo).

 

1954

Dirige "Senhora dos afogados" (Nelson Rodrigues"), "Lampião" (Rachel de Queiroz) e a remontagem de "A raposa e as uvas", de Guilherme Figueiredo.

Agosto - nascimento de Thereza Cristina, sua única filha.       

Reensaia seu repertório e estréia em Belo Horizonte, Teatro Francisco Nunes, com a Cia. Bibi Ferreira, seguindo em tournée pelo interior de Minas e outros estados.

 

1955

Realiza sua primeira tournée ao norte do Brasil. No repertório, além de "Senhora", de José de Alencar,adaptação de Bibi, com palco giratório, 11 cenários diferentes, as peças "Senhorita Barba Azul", 

 

Cena final da peça "Madame Bovary".

Foto gentilmente cedida por Jorge Nepomuceno www.munirzalaf.hpg.ig.com.br 

"Madame Bovary", de Flaubert - foto à esquerda -  "Diabinho de saias" (Norman Krasna) e "Angelus", de sua autoria.

 

Nomeada diretora da Comédia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, revela peças como "A casa fechada" e " Sonhos de uma noite de luar" (de Roberto Gomes), com Paulo Porto.

Dirige "A ceia dos cardeais" (Júlio Dantas) com Jayme Costa, Sérgio Cardoso e João Vilaret.

 

1956

Excursão pelos estados do Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Pernambuco, apresentando um vasto repertório e uma Companhia de 16 pessoas, entre elenco e técnicos.

  Em Recife, dirige "Bodas de Sangue"  Clique para ver a foto em tamanho real.  de Garcia Lorca, para o Teatro Amador de Pernambuco,  o mais importante grupo amador do país em todos os tempos.      

Excursão a Portugal com toda a Companhia, estreando no Teatro Monumental de Lisboa com "Diabinho de saias" e "A pequena Catarina".

Em Portugal, dirige Procópio em "O avarento" (Molière) e "A raposa e as uvas"

Percorre Portugal e atua em "O avarento" e no famoso "Deus lhe pague", (Joracy Camargo).

 

1957

Teatro de Revista, em Portugal: "Há horas  felizes", contracenando com o maior ator português da época, Vasco Santana. Na mesma Companhia estava o grande cômico português Raul Solnado, hoje compadre de Bibi.

Grava ali o disco "Quando bate um coração". Seu primeiro grande êxito é hoje considerado uma prova de fogo para quem quer trabalhar nas revistas portuguesas. A interpretação de Tic-Tac é antológica, concordam o comediógrafo  Raul Solnado e César de Oliveira, escritor e comediógrafo português.

1958 

Deixa o teatro de variedades e estréia na chamada Catedral da Revista, o Teatro Maria Vitória. Participa de 2 revistas ao lado de Eugênio Salvador, Antônio Silva, Humberto Madeira e Irene Izidro.

Dirige, em Lisboa, Maria Della Costa em "Society em baby doll", de Henrique Pongetti.

1959

Continua a integrar a Companhia de Henrique Salvador, Teatro Maria Vitória, fazendo duas revistas por ano e mais duas comédias com Irene Izidro e Antônio Silva: "Vivendo em pecado" e "A pequena Catarina".

 

 

                                               

 

 

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Suas impressões 

 

Música: "I could have danced all night" (do musical "My fair lady")

 

 

 

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