Biografia

                                                     Por Angela Maria Pereira Glavam

 

Nascida Edith Giovanna Gassion, apelidada Môme Piaf, eternizada como Edith Piaf.
Uma mulher de personalidade marcante, cujo talento incomparável atravessou décadas e será eternamente reverenciada pelos amantes da Arte, como uma das grandes vozes do século.

A história de Edith Piaf desafia a imaginação de um bom escritor. "De todas as cantoras autenticamente populares, Piaf é, talvez, aquela cuja existência e carreira foram copiosamente travestidas por uma infinidade de histórias mais ou menos confirmadas e de lendas mais ou menos verdadeiras." (1)

1. A infância 

 

Foto reproduzida do site http://www.little-sparrow.co.uk/ *

Edith Giovanna Gassion nasceu em 19 de dezembro de 1915. Conta a lenda que Anetta Giovanna Maillard, sua mãe, deu à luz sob um poste, na Rue de Belleville 72, 20º distrito de Paris, num bairro de classe média trabalhadora.

 

* Foto reproduzida do site 

http://www.little-sparrow.co.uk/

 

Na foto ao lado, Rue Belleville 72 e a placa oferecida pelo prefeito Jacques Chirac.

"On the steps of this house on December 19, 1915, in direst poverty, was born Edith Piaf - whose voice would later captivate the world."

"Nos degraus desta casa, em 19 de dezembro de 1915, na mais completa miséria, nasceu Edith Piaf, cuja voz mais tarde cativaria o mundo."

 

Foto reproduzida do site http://www.little-sparrow.co.uk/ *

* Foto reproduzida do site 

http://www.little-sparrow.co.uk/

 

 

O mais provável é que ela tenha nascido em um hospital local, o Hospital Tenon, endereço que consta em sua certidão de nascimento oficial.

Sua infância foi pobre e solitária. Louis Alphonse Gassion, seu pai, ganhava a vida como acrobata de rua e raramente estava em casa.

 

A mãe, inteiramente absorvida pelo desejo de conquistar uma carreira como cantora, apresentava-se nos cabarés locais sob o pseudônimo de Line Marsa, deixando Edith aos cuidados da avó argelina, Aicha Kabyle.

Consta que esta, além de alimentar muito mal a menina, misturava vinho tinto a sua mamadeira.

Veio a Primeira Guerra Mundial e Alphonse foi convocado.

A mãe passou a ganhar a vida cantando nas esquinas e antes que a guerra acabasse, abandonou o lar para sempre.

Entregue a sua própria sorte, Edith vivia à solta, pelas ruas, com outras crianças da vizinhança.

Dois anos depois, o pai retornou da guerra e decidiu enviar Edith para a Normandia, nas proximidades de Bernay, onde a avó paterna, Mme. Louise, dirigia um bordel. 

Ali, ela viveu dias melhores, mas, uma inflamação da córnea, chamada ceratite, tirou-lhe a visão. Feito o diagnóstico, os médicos recomendaram alimentação sadia, higiene, descanso para os olhos e muita paciência, já que a cura esperada seria sobretudo obra do tempo. 

Edith Giovanna Gassion

Isto aconteceu anos depois, de forma espontânea, mas, as pensionistas de Mme. Louise acreditavam que fora um milagre, operado por Santa Teresa de Lisieux.

Na casa da avó paterna, Edith alimentava-se bem, ia à escola, mas, também começava a compreender o que via e ouvia. Aconselhada pelo cura local, Mme. convenceu Alphonse a retomar a guarda da filha.

Em 1922, Edith e o pai deixaram a Normandia.

De volta a Paris, ela acompanhava o pai em seus espetáculos de rua, recolhendo as moedas que lhes ofereciam ao final de cada apresentação. Juntos, percorreram o país, durante anos. Foi um período triste e miserável, onde a menina se viu privada das atividades mais comuns da sua idade.

As agruras de uma vida incerta, a pobreza e a solidão marcaram sua vida para sempre.

                                                

2. A adolescência

 

Aos 15 anos, consciente de sua bela voz, ela abandonou as apresentações com o pai e passou a cantar em dupla com sua amiga Simone Berteaut, apelidada Momone. 

Esperta e sagaz, Momone iniciou Edith nos usos e costumes da vida noturna da Paris marginal. A aparência de Edith era péssima, mas, a voz poderosa despertava a atenção. Cantava pelas ruas, em troca de algumas moedas que lhe atiravam das janelas e assim ia levando a vida...

Corria o ano de 1932.

Edith tinha 17 anos e se apaixonou por Louis Dupont, conhecido em Belleville como P’tit Louis (Luizinho). Ele instalou Edith e Momone em um quartinho de hotel, mas, não era fácil sobreviver. O dinheiro, sempre curto, mal dava para pagar o aquecimento.

Em fevereiro de 1933, Edith deu à luz a Marcelle, apelidada de Cécelle.

"Tudo indica que ela, mesmo reservadamente, jamais disse como vivenciou esta gravidez. Contudo, não imaginemos exagerados dramas íntimos. O mundo de onde veio e aquele em que buscou encontrar-se não podem se dar ao luxo de grandes estados de espírito" (2)

Edith e Louis se separam – ele levou a filha e ela ficou com Momone. 

Em 1935, "numa noite em que nos dava vontade de acabar com a vida" (segundo Momone) P’tit Louis reapareceu; trazia uma triste notícia: a menina estava gravemente enferma - meningite.

Edith correu ao hospital, mas, a criança morreu. Tinha 2 anos e cinco meses de idade e sua mãe, apenas 19 anos e meio.

Dizem que Edith se prostituiu para conseguir dinheiro para o funeral da filha e que o cliente, sensibilizado com o fato, pagou e nada exigiu em troca. Mas, a menina foi enterrada no cemitério dos pobres, em Thias, subúrbio a leste de Paris. Os recursos do pai e da mãe permitiram apenas um funeral de indigente.

Após a morte de Cécelle, Edith voltou a cantar nas ruas, nas praças e cafés próximos a Belleville, e aos poucos, nas áreas de cabarés em torno de Pigalle.

Foto reproduzida do site http://www.little-sparrow.co.uk/ *

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* Fotos reproduzidas do site 

http://www.little-sparrow.co.uk/

Numa tarde de outono, do mesmo ano, ela cantava na esquina da rue Troyon com av. Mac Mahon, próximo à Place de l’Étoile. Fazia frio e ventava.

Por acaso, passou por ali Louis Leplée, diretor do elegante Cabaré Le Gerny’s, situado na rue Pierre Charron, 54, em Champs Elysées.

Leplée era sobrinho de Polin, um cantor de sucesso, e tinha prestígio na noite parisiense. Impressionado com a voz de Edith, ele lhe ofereceu um teste como cantora.

No dia do teste, nervosa e hesitante, ela se atrasou por uma hora, mas, acabou por conquistar inteiramente Luis Leplée, que a contratou por 40 francos por noite.

 

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    Clique para acessar a quarta parte da biografia.4. Edith Piaf - sucesso e amor 
 

 

    Clique para acessar a quinta parte da biografia.5. Edith Piaf - amores e tragédias
 

 

    Clique para acessar a última parte da biografia.6. Edith Piaf - o fim
 

 

(1) (2)  "Piaf Biografia" - Pierre Duclos e Georges Marin – Ed. Civilização Brasileira


 

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Música: "Non, je ne regrette rien" - de Michel Vaucaire e Charles Dumont - voz de Edith Piaf

 

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